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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quarta-feira de Cinzas - As três obras quaresmais


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
 6, 1-6.16-18)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.

Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.

Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.

Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa".
Começamos nesta 4.ª-feira o tempo quaresmal, tempo santo em que Cristo Jesus nos chama sem cessar à conversão sincera de nossos corações. Por isso, a fim de bem nos preparar para estes quarenta dias de penitência, a Liturgia de hoje traz uma passagem do Evangelho segundo Mateus em que o Senhor nos recomenda as três principais obras que o cristão deve procurar realizar ao longo de mais esta Quaresma, a saber: a oração, a mortificação e a caridade fraterna. Jesus nos apresenta, assim, os três ingredientes essenciais a uma vida espiritual autêntica e frutuosa. Numa comparação bastante livre — mas não menos ilustrativa —, podemos dizer que a oração é como que o volante do nosso espírito; a mortificação e a caridade, por sua vez, são respectivamente o freio e o acelerador. Vejamos pois a função de cada um destes "equipamentos" da nossa vida interior.
A oração deve ser o nosso guia, o nosso volante. É ela que nos direciona à meta última de nossa existência, àquela beatíssima união com Deus que, embora possa ser degustada ainda nesta terra, será levada à plenitude somente na glória celeste que o Senhor tem preparada aos que perseveram no seu amor. É também por meio da oração — este contato pessoal com Deus — que evitamos o perigo de fazer da vida cristã uma vida de "etiqueta", uma mera observância de normas de comportamento fechadas em si mesmas e sem nenhum objetivo para além do moralismo tosco que costumam encerrar. Não estamos aqui para ser pessoas "bem comportadas", fieis a mil e uma regrinhas; ao contrário, o Senhor aqui nos colocou para que o amássemos — e como poderemos fazê-lo se a Ele não nos dirigirmos, se não lhe implorarmos os auxílios de que tanto precisamos, se não buscarmos entrar na intimidade d'Aquele que nos chama amigos (cf. Jo 15, 15)?
Ora, assim como um carro, ainda que tenha volante e um destino bem definido, não pode sair do lugar sem um acelerador nem tampouco desviar dos perigos sem um freio, assim também a nossa vida interior precisa de dois outros elementos: a mortificação e a caridade fraterna. A primeira é o freio que devemos impor aos nossos desejos egoístas, que, soltos e sem rédeas, nos conduziriam direto para o abismo. Os santos e santas, bem como toda a tradição ascética cristã, nos sugerem uma infinidade de pequenas mortificações que podem ser de grande proveito para esta Quaresma: além do jejum, podemos dormir no chão, rezar de joelhos, fazer prostrações, oferecer a Deus, enfim, qualquer sacrifício que nos ajude a educar os nossos afetos, a reprimir a nossa ânsia de tudo querer e ao corpo nada negar.
O papel de acelerador fica por conta da caridade fraterna, porque é amando concretamente ao próximo, a quem vemos, que progredimos no amor a Deus, a quem olho humano nunca jamais viu. É por meio da esmola e das obras de misericórdia espiritual que, com passos de gigante, vamos nos conformando a Cristo, nosso modelo de santidade (cf. CIC, 459), e criando no nosso peito os mesmos sentimentos e as mesmas disposições que faziam o sacratíssimo Coração de Jesus pulsar pelos rebentos do seu aprisco, sempre necessitados de cuidado e atenção. Que o nosso Pai amado se digne, pois, a fazer desta Quaresma uma feliz e proveitosa viagem em direção à Páscoa de seu Filho. Que ao cabo deste itinerário, percorrido com suor e verdadeira alegria cristã, nos encontremos todos mais santos e mais amigos de Deus!

Quarta-feira de Cinzas - 10/02/2016

Anúncio do Evangelho (Mt 6,1-6.16-18)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa.3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.
16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Precisamos voltar para o Senhor

Via Canção Nova

Que o Senhor nos ajude a voltar para Ele, pois o que Ele mais deseja é um coração convertido

Nós damos início ao Tempo da Quaresma e à Campanha da fraternidade que tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. Mas, a nossa reflexão não deve ser só neste Tempo da Quaresma, e sim durante todo o ano. Que possamos fazer a nossa reflexão: Como tenho cuidado da nossa casa que é o planeta?
É mais uma Quaresma em que o Senhor nos chama à conversão e a praticarmos a esmola, a oração e o jejum, esses três pontos. Nosso Senhor nos chama a viver a justiça de maneira especial neste tempo, mas não só neste tempo. Como posso corresponder ao chamado que Nosso Senhor me faz de viver a conversão?
Que eu possa viver o jejum, a mortificação, sabendo que um dia tudo isso vai passar. O dia que morrermos não vamos levar o que temos. Este Tempo da Quaresma é também para refletirmos: “O que realmente tem valor na minha vida?” Tenho valorizado minha família, a casa comum que é o planeta, tenho cuidado do meu “cantinho”? A reflexão à qual Nosso Senhor nos leva é olharmos, antes de tudo, o nosso coração.
Somos convidados a voltar para o Senhor. Na primeira leitura, escutamos o profeta Joel que convocava os israelitas a voltarem para o Senhor de todo o coração com jejuns, lágrimas, gemidos e deveriam rasgar o coração e não as vestes. Isso significa que precisamos aceitar o Senhor em nossa vida, rever nossos valores, nossa caminhada.
É um tempo especial, é hoje que Nosso Senhor nos chama para refletirmos. Não percamos a oportunidade que Ele nos dá hoje, ninguém garante que teremos o amanhã. É tempo dos ministros do Senhor se colocarem como intercessores e serem modelos para o povo de Deus. O Senhor me chama, antes de tudo, para a santidade, para a intimidade com Ele.
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“O Senhor me chama, antes de tudo, para a santidade, para a intimidade com Ele. ” (padre Marcio). Foto: Gustavo Borges/cancaonova.com

Na oração podemos contemplar a face do Senhor, ouvir a Sua voz

Na segunda leitura, Paulo se identifica com o embaixador de Cristo e em nome de Cristo ele suplicava: “Deixai-vos reconciliar com Deus, ele é benigno, compassivo.” Não perca a oportunidade de hoje se converter, voltar-se para o Senhor. Convertei-vos e crede no Evangelho, arrependa-se dos seus pecados! É hoje o dia da salvação, é agora que o Senhor nos chama!
No sermão da montanha, Jesus ensinou como deveria ser o proceder dos discípulos e do povo que ali estava. Já era comum dar esmola, fazer jejum, viver a oração. Muitos casais precisam viver a esmola, a caridade dentro de casa, porque na Igreja vivem de um jeito e em casa, vivem de outro. É um tempo forte de esmola, não só na Quaresma, mas que continuemos, que ajudar o próximo se torne uma virtude.
Nosso Senhor nos chama a viver a oração e com discrição. Não preciso chegar na Igreja e para mostrar que estou rezando, rezar mais alto que os outros. Deus é quem precisa saber que você está em intimidade, em sintonia com Ele. Vivamos a esmola, a caridade, a oração, vivamos este tempo do jejum, de maneira especial hoje, quarta-feira de cinzas. Nosso Senhor nos dá várias oportunidades para fazermos penitência.
Nosso Senhor nos dá este tempo de exercício, de retiro espiritual onde seremos instruídos a viver a oração, a esmola, o jejum. Muitos de nós vamos fazer penitência, mas faça um propósito que você realmente consiga cumprir e, claro, que custe para você, algo que vai fazer falta, mas que é possível ser cumprido.
Quando voltar para o Senhor? Hoje! Como proceder? Com obras de misericórdia. Que o Senhor nos ajude a voltar para Ele, pois o que Ele mais deseja é um coração convertido. Não podemos ser os mesmos se nos encontramos com Nosso Senhor. Cinzas e pó são sinônimos na Sagrada Escritura, do pó Nosso Senhor nos fez e ao pó voltaremos e nos lembram que, um dia, nosso corpo acabará.
A morte é certa, por isso busquemos as coisas do alto. O essencial é ter Deus em nossa vida, tudo vai passar, só Deus permanece. Que eu viva o amor, que eu acolha o amor que é Jesus e O transmita aos outros!
Padre Marcio Prado – Comunidade Canção Nova
Transcrição e adaptação: Míriam Bernardes
Adquira esta pregação pelo telefone (12) 3186 – 2600

Saiba quais são os tipos de jejum

Via Canção Nova
Todos podem fazer jejum, inclusive quem não tem a saúde tão boa, basta compreender os tipos de jejum que podem ser feitos
tipos-de-Jejum
Escolha o melhor jejum para você e tenha uma ótima Quaresma!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Como iniciar uma vida de oração

http://catholicus.org/como-iniciar-uma-vida-de-oracao-2/

Uma das maiores dificuldades de quem faz o propósito de iniciar uma vida de oração é a perseverança.

Começar não é fácil, persistir na decisão é ainda mais difícil. Todas as decisões na vida necessitam de disciplina; caso contrário, estão condenadas ao fracasso. Na vida de oração não é diferente. A mesma requer disciplina, perseverança e fidelidade.

Primeiro Passo

O primeiro passo é adquirirmos a consciência da importância da oração em nossa vida espiritual. Sem uma vida orante, nossa alma desfalece. E quando isso ocorre, perdemos-nos, em primeiro lugar, de nós mesmos. Em segundo lugar, perdemo-nos de nossos irmãos e irmãs. Em terceiro lugar, de Deus.

Deus permanece fiel ao nosso lado. Nós, contudo, afastamo-nos d’Ele e de Sua presença. E uma vez afastados, peregrinamos sem rumo. Não sabemos para onde caminhamos nem qual a direção correta para os nossos passos. Uma vida de oração fecunda nos devolve ao porto seguro de nossa caminhada espiritual: o próprio Deus.

Segundo Passo

Adquirida essa consciência da importância da oração na vida espiritual, seguimos para o segundo passo: a decisão de orarmos. Esse passo é também difícil. No início, vão surgir mil e uma coisas mais importantes a serem feitas. A decisão requer coragem para avaliar quais são as verdadeiras prioridades para nosso bem estar espiritual. Muitas demandas da vida diária, que antes não eram tão importantes, surgiram como necessitadas de prioridades urgentes para o momento presente. Diante desses conflitos humano-espirituais, será preciso parar e olhar com calma a realidade presente e decidir o que é mais importante para a alma naquele momento.

Terceiro Passo

Uma vez decididos a dedicar um momento do dia à vida de oração, seguimos para o próximo passo: a escolha do tempo de oração. Para quem nunca cultivou uma vida assim, é preciso prudência e discernimento. No momento do impulso, poderão surgir decisões precipitadas. Muitos começam sua vida de oração com um hora diária e, depois de 5 dias, estão desesperados e não conseguem ficar nem mais um minuto em oração. É preciso equilíbrio quando o assunto é tempo. Não adianta começar uma rotina de oração com uma hora se ainda não está acostumado a rezar nem vinte e cinco minutos sozinho. Um bom tempo para se reservar, neste primeiro momento, é vinte minutos diários de oração. Antes vinte minutos bem rezados que uma hora de eterno desespero.

Comece com vinte minutos diários e, com o tempo, se sentir necessidade, aumente gradativamente esse período. No entanto, esse processo tem de ser realizado com muita calma e tranquilidade, respeitando seu ritmo interior e seu progresso espiritual.

Fonte: Canção Nova


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Evangelho 5º Domingo Comum - 07/02/2016

Anúncio do Evangelho (Lc 5, 1-11)
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós!
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus.
2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes.
3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”.
5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”.
6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!”
9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer.
10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”.
11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A maternidade de Nossa Senhora em nossa vida

Nossa Senhora mantém uma relação materna única e irrepetível com cada um de nós, seus filhos e escravos de amor, por toda a nossa vida.

Nossa Senhora é Mãe da Igreja e, em virtude desta maternidade, mantém uma íntima relação com cada um de nós, filhos de Deus, em todos os momentos de nossa vida. Para compreender esta maternidade espiritual da Virgem Maria sobre nós, podemos compará-la com a maternidade biológica. A maternidade determina sempre uma relação única e irrepetível entre duas pessoas: da mãe com o filho e do filho com a mãe. Mesmo quando uma mulher é mãe de muitos filhos, a sua relação pessoal com cada um deles caracteriza a maternidade na sua própria essência. Cada um dos filhos é gerado de modo único e irrepetível e isto é válido tanto para a mãe quanto para o filho. Cada um dos filhos é cercado, de modo singular, do amor materno, que é a base fundamental da formação e amadurecimento em humanidade.
Nossa Senhora mantém uma relação materna única e irrepetível com cada um de nós, seus filhos e escravos de amor, por toda a nossa vida.


Esta maternidade na “ordem da natureza” caracteriza a união da mãe com o filho e é como que um espelho da maternidade na “ordem da graça”. Esta analogia nos ajuda a compreender porque, no testamento de Jesus Cristo no Calvário, a maternidade de sua Mãe Santíssima é por Ele expressa no singular, em relação a um só homem: “Eis o teu filho”1. Além disso, essa comparação com a maternidade biológica nos ajuda a compreender a necessidade de deixar-nos cuidar pela Virgem Maria. Pois, o filho sempre necessita dos cuidados, do carinho, da atenção da mãe. Não precisamos ter medo, pois se uma boa mãe quer o bem ao seu filho, a Mãe de Deus quer para nós o Sumo Bem, que é Jesus Cristo, e fará todo o possível para nos conduzir a Ele. Além disso, como uma mãe amorosa, bondosa, zelosa, a Mãe da Igreja nos ajudará em nossa formação humana e espiritual, “até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo”2.


A nossa entrega filial a Santíssima Virgem Maria

No testamento espiritual do Filho de Deus3, “está plenamente indicado o motivo da dimensão mariana da vida dos discípulos de Cristo: não só de São João, que naquela hora estava aos pés da Cruz, juntamente com a Mãe do seu Mestre, mas também de todos os demais discípulos de Cristo”4. Jesus Cristo confia a Virgem Maria a cada um de nós e, ao mesmo tempo, entrega a sua Mãe a nós como nossa Mãe. Dessa forma, a maternidade de Maria, que se torna herança do homem, é um dom, que o próprio Cristo faz a cada um de nós pessoalmente. “O Redentor confia Maria a João, na medida em que confia João a Maria. Aos pés da Cruz começou aquela especial entrega do homem à Mãe de Cristo, que ao longo da história da Igreja foi posta em prática e expressa de diversas maneiras”5.

Uma das formas privilegiadas, se não a mais privilegiada, de viver esta entrega é a consagração a Jesus por Maria – segundo o livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort – que tem em São João Paulo II um dos seus mais ilustres e fiéis consagrados.

São João, o Discípulo amado, depois de escrever as palavras dirigidas por Jesus do alto da Cruz à sua Mãe e a si próprio, acrescenta: “E, a partir daquele momento, o discípulo levou-a para sua casa”6. Esta afirmação quer dizer que ao discípulo foi atribuído um papel de filho e que ele tomou sob seus cuidados a Mãe do Mestre, a quem amava. Maria foi dada pessoalmente ao Discípulo como mãe, o que comporta tudo o que diz respeito a relação íntima de um filho com a mãe. Tudo isso pode resumir-se na palavra “entrega”. Esta entrega filial é a resposta ao amor de uma mãe.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo com o tema: “Consagrados da Virgem, consagrados na Cruz”:

A dimensão mariana da vida em Cristo

A dimensão mariana das nossas vidas exprime-se, de modo especial, nessa entrega filial a Mãe de Cristo, iniciada com o testamento espiritual do Salvador do alto da cruz. Confiando-nos filialmente a Maria, como o Apóstolo São João, acolhemos entre as nossas coisas próprias7, em nossa vida interior, a Mãe de Cristo. Desse modo, nos colocamos sob a caridade materna com a qual a Mãe de Deus cuida de nós, irmãos do seu Filho, cooperando em nossa regeneração e formação, segundo a medida do dom própria de cada um, pelo poder do Espírito de Cristo. Dessa forma, acontece “aquela maternidade segundo o Espírito, que se tornou função de Maria aos pés da Cruz e no Cenáculo”8.

A nossa relação de entrega filial a Virgem Maria tem o seu início em Jesus Cristo e está definitivamente orientada para Ele. Por isso, podemos dizer que Nossa Senhora continua a repetir a todos nós as mesmas palavras que disse outrora na festa de casamento em Caná da Galileia: “Fazei o que ele vos disser”9. Pois, Ele é o único Mediador entre Deus e os homens10; é “o caminho, a verdade e a vida”11; e é aquele que o Pai doou ao mundo, para que cada um de nós “não pereça, mas tenha a vida eterna”12.

A Virgem de Nazaré tornou-se a primeira testemunha deste amor salvífico do Pai e permanece a sua humilde serva, sempre e em toda a parte. Em relação a todos e cada um de nós cristãos e a cada um dos homens de boa vontade, Maria é a primeira na fé: é “aquela que acreditou”13. Justamente com esta sua fé de esposa e de mãe, ela quer atuar em favor de todos que a ela se entregam como filhos e escravos. E, quanto mais perseveramos nessa atitude de entrega e progredimos nela, tanto mais Maria nos aproxima da “insondável riqueza de Cristo”14. Além disso, também reconhecemos cada vez mais a dignidade do humana, em toda a sua plenitude, e o sentido definitivo da nossa vocação, porque “Cristo Redentor […] revela plenamente o homem ao próprio homem”15.

Esta dimensão mariana da vida cristã tem um caráter particular no que diz respeito às mulheres e à condição feminina. Pois, as mulheres encontram-se numa relação singular com a Mãe do Redentor. A figura da Virgem de Nazaré projeta uma luz sobre a mulher pelo fato de Deus, no sublime mistério da Encarnação do seu Filho unigênito, confiar-Se aos bons préstimos, livres e ativos da Mulher. A mulher, olhando para Maria, encontrará o segredo para viver dignamente a sua feminilidade e realizar a sua verdadeira vocação.

Depois de olhar para “Maria, a Igreja vê no rosto da mulher os reflexos de uma beleza, que é espelho dos mais elevados sentimentos que o coração humano pode albergar [conter]: a totalidade do dom de si por amor; a força que é capaz de resistir aos grandes sofrimentos; a fidelidade sem limites, a operosidade incansável e a capacidade de conjugar a intuição penetrante com a palavra de apoio e encorajamento”16.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “A vida oculta de Jesus”:

Nossa Senhora na compreensão do mistério de Cristo e da Igreja

A Virgem Maria é Mãe da Igreja, “Mãe de todo o povo cristão, tanto dos fiéis como dos Pastores”17. Nós cremos que “a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu a sua função maternal em relação aos membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina nas almas dos remidos”18.

Devemos estudar cada vez mais estes temas marianos, especialmente na Sagrada Tradição e no Magistério da Igreja, bem como nos escritos dos santos, pois “a verdade sobre a Virgem Santíssima, Mãe de Cristo, constitui um subsídio eficaz para o aprofundamento da verdade sobre a Igreja”19. No entanto, o conhecimento da doutrina mariana não se limita em nos esclarecer em relação a Igreja, mas também no que diz respeito ao próprio Filho de Deus. Pois, “o conhecimento da verdadeira doutrina católica sobre a Bem-aventurada Virgem Maria constituirá sempre uma chave para a compreensão exata do mistério de Cristo e da Igreja”20.

Nossa Senhora está presente na Igreja como Mãe de Cristo e, ao mesmo tempo, como a Mãe que o próprio Cristo, no mistério da Redenção, deu a cada um de nós, na pessoa do Discípulo amado21. Com a sua nova maternidade no Espírito Santo, a Santíssima Virgem abraça todos e cada um de nós na Igreja; e abraça também todos e cada um de nós mediante a Igreja. Neste sentido, a Mãe da Igreja é também modelo da Igreja. Por isso, devemos “buscar na Virgem Mãe de Deus a forma mais autêntica da perfeita imitação de Cristo”22.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre a “Consagração a Nossa Senhora, um caminho de santidade”:

Maria, Mãe e modelo para a Igreja e para todos nós cristãos

Portanto, graças ao vínculo especial, que une a Mãe de Cristo a Igreja, esclarece-se melhor o mistério daquela “Mulher”23 que, do livro do Gênesis ao do Apocalipse, acompanha a revelação do desígnio salvífico de Deus em relação à humanidade. A Virgem Maria está presente na Igreja como Mãe do Redentor, e participa maternalmente naquele “duro combate contra os poderes das trevas […] que se trava ao longo de toda a história humana”24.

Em virtude da sua identificação eclesial com a “Mulher vestida de sol”25, podemos dizer que “a Igreja alcançou já na Virgem Santíssima aquela perfeição, que faz que ela se apresente sem mancha nem ruga”26. Entretanto, nós que estamos de passagem neste mundo, levantando os olhos com fé para a Virgem Maria e, ao longo da nossa peregrinação terrestre, continuamos a esforçar-nos por crescer na santidade, para chegarmos um dia à Jerusalém celeste.

Maria Santíssima, a Mãe da Igreja, ajuda a todos nós, seus filhos, independentemente da nossa condição, a encontrar em Cristo o caminho para a casa do Pai. Entretanto, sua solicitude é maior com os mais necessitados, aqueles que sofrem no corpo ou na alma. Por isso, como nos indicou São Bernardo, invoquemos sempre Nossa Senhora, principalmente em nossas necessidades: “Se se levantarem os ventos da tentação, se vires aproximar-se o escolho das provações, olha para a estrela, invoca Maria! Se te sentires sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência ou do ciúme, eleva os olhos para a estrela, invoca Maria. […] Se te sentires perturbado pela enormidade dos teus pecados, humilhado pela vergonha da tua consciência, assustado pelo temor do julgamento, se estiveres a ponto de naufragar nas profundezas da tristeza e do desespero, pensa em Maria. No perigo, na angústia, na dúvida, pensa em Maria, invoca Maria!”27 Assim, todos e cada um de nós em particular mantemos, em toda a nossa vida, uma ligação com a Mãe de Deus que abraça, no mistério salvífico de Cristo, o passado, o presente e o futuro; e veneramos Nossa Senhora como Mãe espiritual e Advogada na ordem da graça28. Virgem Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós!

Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus em Maria.

Links relacionados:

FORMAÇÃO CANÇÃO NOVA. Na maternidade, revela-se o mistério da mulher.

EVENTOS CANÇÃO NOVA. A maternidade Divina de Maria.

TODO DE MARIA. A maternidade de Maria na vida da Igreja.

TODO DE MARIA. Maria, o feminino e a maternidade.

Referências:

1 Jo 19, 26.

2 Ef 4, 13.

3 Jo 19, 25-27.

4 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 45.

5 Idem, ibidem.

6 Jo 19, 27.

7 O que se exprime no texto grego com “είς τά ίδια” vai além do simples acolhimento de Maria por parte do Discípulo, no sentido só do alojamento material e da hospedagem em sua casa; tal expressão designa principalmente uma comunhão de vida (em família) que se estabelece entre os dois, em virtude das palavras de Cristo antes de morrer: Cf. S. Agostinho, In Ioan. Evang. tract. 119, 3: CCL 36, 659: “O discípulo recebeu-a em casa, não num prédio de sua propriedade, porque não possuía nada de seu, mas sim entre o que era objecto dos seus cuidados, a quem ele atendia com dedicação”.

8 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 45. Cf. Jo 19, 25-27; cf. At 1, 14.

9 Jo 2, 5.

10 Cf. 1 Tm 2, 5.

11 Cf. Jo 14, 6.

12 Jo 3, 16.

13 Lc 1, 45.

14 Ef 3, 8.

15 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptor Hominis, 10.

16 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 46.

17 Idem, 47. Cf. Papa Paulo VI, discurso de 21 de Novembro de 1964: AAS 56 (1964) 1015.

18 Idem, ibidem. Paulo VI, Solene Profissão de Fé (30 de Junho de 1968), 15: AAS 60 (1968) 438 s.

19 Idem, ibidem.

20 Idem, ibidem. Paulo VI, Discurso de 21 de Novembro de 1964: AAS 56 (1964) 1015.

21 Cf. Jo 19, 27.

22 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 47. Paulo VI, Discurso de 21 de Novembro de 1964: AAS 56 (1964) 1016.

23 Cf. Gn 3, 15; cf. Jo 2, 4; 19, 26; cf. Ap 12, 1-18.

24 Idem, ibidem. Cf. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Pastoral Gaudium et spes, 37.

25 Ap, 12, 1.

26 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 47. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen gentium, 65.

27 SÃO BERNARDO. Homílias sobre estas palavras do Evangelho: “O anjo foi enviado”.

28 Cf. Idem, ibidem.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

Nossa alegria tem um nome e é Jesus Cristo

Via Canção Nova
http://eventos.cancaonova.com/pregacoes/nossa-alegria-tem-nome/

O tema deste ano do “Vem louvar” é: “Manifestemos nossa alegria ao Senhor”. Nossa alegria precisa ser manifestada ao Senhor. Celebramos a Santa Missa dando o ponta pé inicial a este acampamento e o mover do Espírito nos leva a manifestar nossa alegria ao Senhor.
Não queremos comparar os carnavais do mundo com os carnavais da Igreja. Mas se observarmos aqueles que estão no carnaval do mundo eles se mostram aparentemente muito felizes, tiram fotos, festejam e por alguns dias os brasileiros, entusiasmados, experimentam um paliativo, até se esquecem que o país está em crise; na quarta-feira de cinzas volta tudo ao normal.


Nossa alegria tem nome e é uma pessoa

Em Deus você não vai viver uma alegria paliativa, mas viverá profundamente de modo a experimentar a graça de Deus para tornar-se mais forte.
Nossa alegria tem um nome e é Jesus Cristo, portanto, nestes dias tenha a coragem de manifestar a sua alegria ao Senhor. Torcemos que você entenda que não precisa de nenhum entorpecente para viver o carnaval na Canção Nova, pois nossa alegria é do Espírito de Deus.
No Evangelho de hoje acontece um banquete no palácio de Herodes, um verdadeiro carnaval. A filha de Herodíades dança para ele e em troca pede a cabeça de João Batista em um prato. Aquele carnaval havia mentira e morte. Hoje, podemos contemplar, perceber isto no mundo. Pessoas que estão mortas por dentro.
Quando a filha de Herodíades lhe pede a cabeça de João Batista, Herodes fica em cima do muro, ele tem medo. Herodes é como aquele cristão que está com um pé no mundo e um pé na Igreja.
No carnaval de Herodes vemos que a filha de Herodíades é quem tem medo de mostrar a cara. Não precisamos de fantasia em Deus, no “Vem louvar”, precisamos mostrar nosso rosto, mostrar que somos felizes porque estamos com Deus. Você não precisa trazer o carnaval do mundo para o carnaval com Deus. A filha de Herodíades estava com o rosto coberto, ela não tinha autenticidade e foi perguntar para a mãe o que pediria como prêmio.

O céu é dos verdadeiros

O céu é daqueles que são verdadeiros, aquela mulher que dançou era sem caráter, foi lá e perguntou para a mãe, simplesmente porque não tinha opinião.
Precisamos ser como João Batista, ele deu a cabeça pela verdade. Precisamos ser santos, desejarmos a santidade. No carnaval de Herodes tinha dança, mentira e fantasias.
Aqui na Canção Nova haverá dança, mas em louvor a Deus, não é para se insinuar para quem está ao redor, nem para xavecar ninguém. Aqui as mortes permitidas são a do pecado, da carne e das forças do mal sobre nós, para que você volte para casa um homem novo.
A verdade aqui prevalece! Talvez, possa doer a sua carne, mas é necessário para sua libertação. “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”.
Tenho certeza que os que estiverem em Deus nestes dias de carnaval não vão querer voltar para o carnaval que o mundo oferece.


Mais que ouvir, experimentar Deus

Herodes apenas ouvia João Batista falar de Jesus, não queira apenas ouvir, queria experimentar. Faça como Jó que pode afirmar: “Eu te conhecia só por ouvir dizer, mas agora meus olhos te viram”.
A história de Davi é um modelo para nós. Sua história era improvável, aquele menino franzino, o mais novo da casa de Jessé. Um menino que matava ursos e leões no pastoreio de ovelhas, depois de ser escolhido foi lá e matou o gigante Golias depois de invocar o nome do Senhor. Davi era um homem segundo o coração de Deus.
Tudo o que Davi fazia louvava o Senhor, ele colocava os cantores no altar para oferecerem junto com ele louvores a Deus. Davi fazia o que fomos chamados a fazer que é manifestar nossa alegria ao Senhor.
Você pode até pensar que você está sofrendo e por isto não pode ser feliz, mas nossa felicidade vem de Deus e independe de situações.

Martírio da ridicularização

Bento XVI vai nos dizer que se optarmos por Jesus Cristo vamos passar pelo martírio da ridicularização. As pessoas chamam de papa hóstia, perguntam se não se cansam da Igreja, criticam poque as pessoas vivem a castidade. Você está disposto a passar por isso?
Bento ainda diz para não termos medo do Cristo, pois Ele não nos tira nada, mas nos dá tudo.


Padre Roger Luís

Sacerdote Comunidade Canção Nova 

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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Papa: a oração faz milagres e impede que o coração endureça

Em homilia, Papa se concentrou no poder da oração, capaz de fazer milagres e mudar a vida dos fiéis
Da Redação, com Rádio Vaticano

A oração faz milagres e impede que o coração endureça, disse o Papa Francisco em homilia nesta terça-feira, 12, na Casa Santa Marta.

Podemos ser pessoas de fé e perder o sentido da piedade sob as cinzas do juízo, das infinitas críticas. Este é o sentido da narração comentada pelo Papa. Os protagonistas são Ana – mulher angustiada com a própria esterilidade, que suplica a Deus o dom de um filho – e um sacerdote, Eli, que a observa distraidamente de longe, sentado numa cadeira do templo.

A cena descrita no livro de Samuel relata primeiro as palavras de Ana e, depois, os pensamentos do sacerdote, que não conseguindo ouvir o que ela diz, sentencia que se trata de uma “bêbada”. Mas, ao invés, aquele choro copioso faz com que Deus realize o milagre suplicado.

“Ana rezava em seu coração e somente os lábios se moviam, mas não se escutava a voz. Esta é a coragem de uma mulher de fé que, com a sua dor, com as suas lágrimas, pede a graça ao Senhor. Tantas mulheres corajosas são assim na Igreja, muitas! Que rezam como se fosse uma aposta…. Pensemos somente numa grande mulher, Santa Mônica, que com as suas lágrimas conseguiu obter a graça da conversão do seu filho, Santo Agostinho. Existem muitas mulheres assim”.

Eli, o sacerdote, é “um pobre homem” pelo qual Francisco admitiu ter certa simpatia, uma vez que vê em si mesmo defeitos que o aproximam de Eli e, assim, o Papa consegue entendê-lo melhor. As pessoas, com facilidade, julgam as outras, falta piedade no coração e compreensão em relação àqueles que rezam com dor e angústia e confiam suas orações a Deus.

“Jesus conheceu esta oração no Jardim das Oliveiras, quando eram tamanhas a dor e a angústia que Jesus suou sangue e não repreendeu o Pai: ‘Pai, se quiser, tire-me isto, mas seja feita a sua vontade’. E Jesus respondeu do mesmo jeito que a mulher: com a mansidão. Às vezes, nós rezamos, pedimos ao Senhor, mas muitas vezes não sabemos chegar à luta com o Senhor, às lágrimas, a pedir a graça”.

O Papa recordou ainda a história do homem de Buenos Aires que, com a filha de 9 anos hospitalizada em fins de vida, ia à Virgem de Lujàn e passou a noite grudado nos portões do Santuário para pedir a graça da cura para a menina. E na manhã seguinte, ao voltar ao hospital, encontrou a filha curada.

“A oração faz milagres, faz milagres também para os cristãos, sejam leigos, como sacerdotes e bispos que perderam a devoção e a piedade. A oração dos fiéis muda a Igreja: não somos nós, os Papas, os bispos, os sacerdotes, as religiosas a levar avante a Igreja… são os santos! E os santos são estes, como esta mulher. Os santos são aqueles que têm a coragem de crer que Deus é o Senhor e que tudo pode fazer”.

Fonte:http://papa.cancaonova.com/papa-a-oracao-faz-milagres-e-impede-que-o-coracao-endureca/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Cartaz da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 – CFE 2016

Apresentando o Cartaz da Campanha da Fraternidade 2016
Cartaz oficial da CFE 2016

A inspiração do autor para a criação do material que nortearás os trabalhos deste ano foi inspirado no Livro de Amós, capítulo cinco, versículo 24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).
Anderson Augusto de Souza Pereira é o autor do cartaz da Campanha da Fraternidade 2016. De forma objetiva, Anderson conta como se inspirou para criar o material que norteará os trabalhos em 2016, tendo como tema o ecumenismo. Abaixo, as explicações sobre sua inspiração quando da criação do material que traduz em imagens o chamamento que a campanha requer que é o Cuidado da Casa Comum:
Explicação do Cartaz da CFE 2016
A arte do Cartaz
“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).
Este foi o versículo que inspirou o processo de criação do cartaz dessa Campanha da Fraternidade Ecumênica.
Assumir a responsabilidade com a Casa Comum exige uma profunda mudança no estilo de vida e nos valores que orientam nossa ação. Nosso modelo de sociedade está baseado no consumo e na aparência. Para suprir essas necessidades, sacrificamos a Casa Comum, que é o espaço em que habitamos.
Nem sempre estamos atentos para atitudes simples, por exemplo, o descarte correto do lixo, ligar nossas casas às redes de esgoto, cuidar da água, entre outras. A falta desses cuidados fere a Criação, de forma que, no lugar de flores, jardins e frutos diversos vemos esgoto a céu aberto, rios poluídos e monoculturas. A diversidade da criação de Deus desaparece.
A terra alegre fica triste. No entanto, a fé em Jesus Cristo nos anima a assumirmos o cuidado com a Casa Comum como resposta ao amor incondicional que Deus oferece a cada um e cada uma de nós. Assumir esse compromisso reacende a esperança de um novo céu e uma nova terra onde habitam a justiça e o direito.
É isso que expressa o rosto da mulher em destaque no cartaz. Queremos que as mudanças dos paradigmas e valores que nos orientam nessa sociedade de consumo transformem o rio poluído em água cristalina e habitado por muitos peixes, a terra seca em uma terra renovada e abundante. Com essa transformação, poderemos dançar e celebrar a esperança de que o projeto da Casa Comum não terá fim, mas continuará por gerações e gerações.
DOWNLOAD:

CARTAZ CFE 2016 MÉDIO

CARTAZ CFE 2016 GRANDE

Fonte: http://portalkairos.org/campanha-da-fraternidade-2016-cartaz/#ixzz3wfCAZ3KX

Resumo do texto-base da Campanha da Fraternidade (Ecumênica) 2016

Cartaz da Campanha
TEMA: “Casa comum, nossa responsabilidade”
LEMA: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.
Em 2016, o tema será “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema bíblico apoia-se em Amós 5,24 que diz: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.
O objetivo principal da iniciativa será chamar atenção para a questão do saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida para todos.
Uma das grandes novidades desta quarta edição da campanha ecumênica, é a participação da Misereor, entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. A colaboração acontece em vista do desejo dos organizadores em transpor as fronteiras nacionais.
RESUMO DO TEXTO BASE
CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2016
INTRODUÇÃO
Pela quarta vez a Campanha da Fraternidade é realizada de forma ecumênica. As outras três tiveram os seguintes temas:
Ano 2000 –  Dignidade Humana e paz – Novo Milênio sem exclusões
Ano 2005 – Solidariedade e Paz – Felizes os que promovem a Paz
Ano 2010 – Economia e Vida – Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro
A Campanha da Fraternidade deste ano tem como objetivo geral “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.
As reflexões sobre o saneamento básico contidas neste texto base demonstram que esse é um direito humano fundamental e, como todos os outros direitos, requer a união de esforços entre sociedade civil e poder público no planejamento e na prestação de serviços e de cuidados. Por isso é uma Campanha Ecumênica, pois a questão do Saneamento afeta não apenas católicos, mas todas as pessoas, independente da fé que professem.
O abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle de meios transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas. Por isso, há que se ter em mente que “justiça ambiental” é parte integrante da “justiça social”.
PRIMEIRA PARTE
As escolhas das atitudes para a preservação da vida no planeta Terra devem ser orientadas por critérios coerentes com o propósito de mais justiça e paz. Tais escolhas devem contribuir para a superação das desigualdades e das agressões à criação. Por isso, hoje, as preocupações e consequentes ações no âmbito do saneamento passam a incorporar não só questões de ordem sanitária, mas também de justiça social e ambiental. É, portanto, necessária e urgente que as ações para a preservação ambiental busquem também construir a justiça, principalmente para os pequenos e pobres.
Estudos estimam que morre uma criança a cada 3 minutos por não ter acesso a água potável, por falta de redes de esgoto e por falta de higiene. Crianças com diarreia comem menos e são menos capazes de absorver os nutrientes dos alimentos, o que as torna ainda mais suscetíveis a doenças relacionadas com bactérias. O problema se agrava, pois as crianças mais vulneráveis à diarreia aguda também não têm acesso a serviços de saúde capazes de salvá-las. Ampliando a questão da saúde para todas as faixas etárias, em 2013, segundo o Ministério da Saúde (DATASUS), foram notificadas mais de 340 mil internações por infecções gastrointestinais no país. Se 100% da população tivesse acesso à coleta de esgotos sanitários haveria uma redução em termos absolutos de 74,6 mil internações.
Os últimos dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico – base 2013) mostram que pouco mais de 82% da população brasileira têm acesso à água tratada. Mais de 100 milhões de pessoas no país ainda não possuem coleta de esgotos e apenas 39% destes esgotos são tratados, sendo despejados diariamente o equivalente a mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento na natureza.
Alguns dados mundiais sobre o saneamento:
– No mundo, um bilhão de pessoas fazem suas necessidades a céu aberto.
– Mais de 4.000 crianças morrem por ano por falta de acesso a água potável e ao saneamento básico.
– Na América Latina, as pessoas têm mais acessos aos celulares que aos banheiros.
– 120 milhões de latino-americanos não têm acesso aos banheiros.
Alguns dados do Brasil sobre saneamento
– O Brasil está entre os 20 países do mundo nos quais as pessoas têm menos acesso aos banheiros.
– Cada brasileiro gera em média 1 quilo de resíduos sólidos diariamente. Só a cidade de São Paulo gera entre 12 a 14 mil toneladas diárias de resíduos sólidos.
– As 13 maiores cidades do país são responsáveis por 31,9% de todos os resíduos sólidos no ambiente urbano brasileiro.
Para onde vão todos estes resíduos?
Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008 do IBGE, divulgada em 2010:
50,8% foram levados para os lixões, local para depósito do lixo bruto, sobre o terreno, sem qualquer cuidado ou técnica especial.
21,5% são levados para aterros controlados, local utilizado para despejo do lixo bruto coletado, com cuidado de, diariamente, após a jornada de trabalho, cobrir os resíduos com uma camada de terra, de modo a não causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, bem como minimizar os impactos ambientais.
27,7% são levados para aterros sanitários, local monitorado em conformidade com a legislação ambiental, de modo a que nem os resíduos nem seus efluentes líquidos e gasosos venham a causar danos à saúde pública ou ao meio ambiente.
Um dado alarmante é que a América do Norte e a Europa mandam seus resíduos sólidos para a África e, infelizmente, também para o Brasil. Em 2009 e 2010 portos brasileiros receberam cargas de resíduos (LIXO) domiciliares e hospitalares. Focando apenas no Brasil, os lixões e aterros sem controle, localizam-se próximos ou em áreas de residência de populações pobres, nas quais os habitantes são obrigados a conviver com a sujeira gerada pelos demais moradores, resultando em injustiça ambiental.
SANEAMENTO BÁSICO PARA ALÉM DA CIDADE
Se a situação já é precária no meio urbano, no meio rural brasileiro é ainda mais absurda. Apenas 42% das moradias rurais dispõem de água canalizada para uso doméstico. Os outros 58% usam água de outras fontes, porém, sem nenhum tipo de tratamento.
Muitas habitações rurais são tão precárias que sequer dispõem de banheiros ou fossas. Somente 5,2% dos domicílios rurais possui coleta de esgoto ligado à rede geral e 28% possuem fossa séptica. Em 49% das residências que possuem banheiro, o escoamento de fezes e urina corre por meio de fossas rudimentares não ligadas à rede. Há 52,9% de residências que buscam soluções rudimentares como valas ou despejo do esgoto diretamente nos cursos de água. Há ainda 13,6% que não usam nenhuma solução.
Todos estes números revelam a falta de dignidade à vida das pessoas que vivem nas áreas rurais. São 7,6 milhões (25% da população rural do Brasil) que vivem em extrema pobreza. Por isso, o saneamento rural deve ser implementado de forma articulada com outras políticas públicas, de modo a superar o déficit de moradias, dificuldade de acesso à eletrificação rural e ao transporte coletivo.
SANEAMENTO BÁSICO E ÁGUA POTÁVEL, UMA RELAÇÃO VITAL
A água é o recurso mais abundante no planeta Terra, porém, apenas 0,007% estão disponíveis para o consumo humano. O restante é constituído por águas salgadas, geleiras e águas subterrâneas de difícil captação. O Brasil é privilegiado em recursos hídricos, com 12% da água doce do mundo. Entretanto, a escassez de água potável, que é hoje um problema  crônico em diversas regiões do mundo está gerando alertas também no nosso país.
É importante saber que cerca de 70% da água doce do Brasil estão concentradas na região Norte, a menos populosa, enquanto que as regiões Nordeste e Sudeste, com alta população, dispõem de pouca água. O risco de desabastecimento em larga escala é uma ameaça não somente em áreas tradicionalmente áridas, mas também nas grandes cidades.
Num futuro próximo, a busca pela água será capaz de provocar disputas internacionais. Apesar da constatação da falta da água, o Brasil é considerado o campeão de desperdício de água no mundo – a média de desperdício da água potável nos sistemas de distribuição chega a 37%.
JULGAR
A Bíblia é uma revelação progressiva. Antes mesmo que Jesus fizesse a plena revelação do Deus Amor e Misericordioso, os profetas já anunciavam aspectos importantes da caridade e da justiça, fundamentos do Reino de Deus. O bem comum, desejado por Deus, é o grande objetivo das Sagradas Escrituras. Da adesão ao projeto do Reino de Deus e, portanto, o compromisso com a construção do bem comum é que depende a salvação individual.
Quando falamos do bem comum, não podemos restringi-lo somente à relação dos seres humanos entre si, mas também destes com a natureza, que deve ser cuidada com gratidão e respeito. E o uso da natureza e de todos os bens materiais deve acontecer de forma justa e voltada para a construção de uma coletividade com mais igualdade, ao invés de serem utilizados para suprir a ganância de alguns.
A escolha do texto de Amós (“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” – Amós 5,24) não é por acaso. Amós fundamenta sua pregação profética numa denúncia social aguda, chamando a atenção para um progresso econômico quer não de traduzia em igualdade e justiça para todos. Sua denúncia aponta para uma situação de caos social, onde as relações afetivas estavam se rompendo (Amós 2,6-8). Com suas denúncias, Amós revela que a fé em Deus estava sendo manipulada pela religião oficial (Amós 4,4-5). Deus quer justiça e dignidade para todos. Não apenas para Israel e Judá (Amós 9,7-8).
Amós ainda denuncia o culto vazio, repleto de louvores e oferendas a Deus, mas que não faz com que as pessoas pratiquem a justiça. Não são grandes oferendas que agradam a Deus, mas sim a prática do direito e da justiça (Amós 5,21-25). Este tema também é tratado pelos profetas Isaías, Oséias e Miquéias (cf. Isaías 32,18; Oséias 6,6). O profeta Miquéias, em breves palavras, resume este complexo assunto:
“Foi-te dado a conhecer, ó homem, o que é bom, o que o Senhor exige de ti: nada mais que respeitar o direito, amar a fidelidade e aplicar-te a caminhar com teu Deus” (Miquéias 6,8).
Garantir os direitos essenciais para a vida humana e cuidar bem do planeta, são partes fundamentais da justiça exigida por Deus. Quando isso não acontece, diz o profeta Isaías que as feras, as aves do céu e até os peixes do mar desparecem (Oséias 4,1-3).
O que Deus quer de nós é que sejamos como jardineiros que cuidam da natureza com carinho.  E, também, o cuidado uns dos outros, como quem cuida de plantas que amam. É esta imagem que está presente na descrição do livro do Gênesis, que relata a criação do mundo. Deus tomou Adão e o colocou no Jardim do Édem para que o cultivasse e guardasse (cf. Gênesis 2,15).
No Édem nascia um rio que se dividia em quatro braços, lembrando os quatro pontos cardeais e assim representando a terra inteira. Essas passagens iniciais da Bíblia ressaltam a importância do cuidado humano pela integridade da criação. A água limpa e potável, também aparece como símbolo da vida quando Moisés fez brotar o líquido da vida no deserto (Êxodo 17,6). É também a água como símbolo da vida que Jesus anuncia à samaritana (João 4,14). Na Nova Jerusalém do Apocalipse temos de novo um símbolo que evoca a água como fonte da vida (Apocalipse 22,1-2).
Na Bíblia há vários relatos que já anunciam a necessidade de manter limpa a natureza e o cuidado com o líquido precioso:
É preciso organizar o povo – descentralização do poder e das decisões – para que as pessoas sejam atendidas em suas necessidades e cuidem do ambiente em que vivem (Êxodo 18, 13-27)
Devem manter a limpeza no acampamento, manter as fezes cobertas para evitar sujeiras e doenças (Deuteronômio 23,13-14).
Cuidar e tratar da água a ser consumida. As fontes, poços e cisternas devem ser mantidos puros (Levítico 11,36; Êxodo 15,23-25; 2 Reis 2,19-22).
Cuidar das árvores e bosques, principalmente das árvores frutíferas (Levítico 19,25; Deuteronômio 20,19; Juízes 4,4-5).
Todas estas atividades devem estar sempre envolvidas com o cuidado para com os mais pobres (Deuteronômio 23, 25; 24, 14-15.19-22, conforme Tiago 5,1-6). Assim como não se deve explorar o trabalhador, que tem o direito ao descanso, também a terra, a cada sete anos deve ter o descanso (Levítico 25, 2-7).
SANEAMENTO BÁSICO E PRÁTICA DA JUSTIÇA
Voltando ao lema de Amós (5,24) que anima nossa Campanha da Fraternidade Ecumênica, o profeta compara a prática da justiça como uma fonte que jorra água limpa e com um rio perene que não seca jamais.
A comparação que Amós faz da água que jorra com a prática da justiça, lembra que o bem estar de todos os habitantes de um lugar deve ser o objetivo de todo serviço público. Ninguém pode buscar apenas o lucro fácil e rápido em detrimento dos direitos dos demais. É como se uma pessoa represasse um rio só para si, formando um enorme açude enquanto todos adiante ficam apenas com um fiozinho de água.
Jesus denuncia a ganância e os ritos vazios, que privilegia os puros (aqueles que detinham o poder econômico) e marginaliza os impuros (os pobres e enfermos na época eram vistos como abandonados por Deus e por isso eram marginalizados). Por isso Jesus disse: “felizes os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5,6-7).
Vivemos numa sociedade urbana organizada em torno dos princípios da economia de mercado. Nesta sociedade os “abençoados” são os que têm poder de compra. Tudo se torna mercadoria, inclusive os bens primordiais como a água e a terra.
Neste tipo de sociedade, os benefícios públicos acabam sendo destinados às regiões mais abastadas. Bairros populares terminam sendo deixados em segundo lugar, sem os benefícios do esgotamento, coleta de lixo, transporte público, boas escolas, etc.
Refletindo sobre tudo isso, fica bem claro que a fidelidade a Deus precisa se manifestar na preservação de tudo o que é necessário para que a grande família humana possa viver com dignidade e justiça em um ambiente bem cuidado. Mas não basta refletir. Como Jesus nos mostrou na parábola dos dois filhos chamados a trabalhar na vinha (Mateus 21,28-31), não basta ter um bom discurso, o importante é entrar em ação, transformando o mundo do modo como Deus deseja.
AGIR
As Campanhas da Fraternidade Ecumênicas fortalecem os espaços de convivência entre as diferentes Igrejas. O diálogo e o trabalho conjunto em favor do bem comum são testemunhos importantes que podemos oferecer para a sociedade. Afinal, Jesus sempre se colocou aberto à escuta, às partilhas e a uma boa roda de conversa (conforme João 4; Marcos 8,1-9). Por isso, esta Campanha da Fraternidade Ecumênica deve nos motivar a irmos ao encontro de todas as pessoas – católicas, evangélicas, espíritas, outras religiões e até mesmo não crentes – para que juntos encontremos ações conjuntas que favoreçam o cuidado com a nossa Casa Comum.
“Casa Comum, nossa responsabilidade”, é um tema que nos orienta a atuarmos coletivamente em favor da elaboração, implementação e acompanhamento dos Planos Municipais de Saneamento Básico. As responsabilidades são coletivas, porém diferenciadas:
O poder público tem a tarefa de realizar as obras de infraestrutura, implementar o Plano Municipal de Saneamento Básico, garantir a limpeza do espaço público e fazer a coleta seletiva do lixo.
Os cidadãos tem a tarefa de não jogar lixo nas ruas e zelar pelos espaços coletivos.
Estas atitudes poderão nos aproximar do sonho do profeta Amós que é o de “ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5,24).
VAMOS CONHECER ALGUMAS ATITUDES QUE PODEMOS ASSUMIR
NA SUA CASA – A água é usada com economia? – Você sabe se o esgoto coletado de sua casa é tratado? – Você se incomoda e denuncia quando vê um vazamento de água em sua rua? – Quando sai de um cômodo iluminado, tem o costume de apagar a lâmpada? – Qual o destino que você dá ao óleo de cozinha que não pode ser reutilizado?
NO SEU BAIRRO – Há rede de água encanada? – Há coleta regular do lixo? – Há o costume de cobrar das autoridades providência próprias do poder público?
NA SUA CIDADE – A água é de qualidade? – Há estações de tratamento do esgoto? Existem cooperativas populares de reciclagem dos resíduos sólidos? Quando há aprovação de projeto de construção de um imóvel, o esgoto é levado em consideração?
UM GESTO CONCRETO PESSOAL PARA A QUARESMA
Temos uma proposta emocionante: cuidar da Casa Comum que Deus nos deu e fazer dela um lugar saudável, no qual a fraternidade e a justiça corram como rios de água viva. Que Deus nos ajude a viver com alegria e responsabilidade essa bonita missão! Como sinal desse compromisso, propomos que durante a Quaresma realizemos o esforço de evitar o consumismo e o desperdício dos alimentos. Que façamos um dia de jejum, doando aos mais pobres o que não consumimos nesse dia.
Tudo o que fizermos precisa ser impulsionado pela graça de Deus, que ilumina nosso discernimento, fortalece nossa disposição, não nos deixa desistir do amor fraterno e fará nosso trabalho produzir frutos melhores e mais permanentes. Portanto, orando e celebrando, entreguemos a Deus o serviço que queremos prestar, para que Deus sempre nos inspire a caminhar a seu lado na preservação do bonito e saudável ambiente que nos ofereceu na criação.
Padre Tarcisio Spirandio
Fonte: http://portalkairos.org/campanha-da-fraternidade-2016-texto-base/#ixzz3wfAWdHhD

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